Inovar numa grande empresa requer uma “startup interna”

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Inovar numa organização é um desafio devido a variações de orçamento, pouca autonomia e desinteresse pessoal das equipes.

Inovar dentro das empresas não é tarefa fácil. Diferentemente do universo das startups onde há poucos recursos, porém bem definidos; autonomia e um forte envolvimento pessoal dos integrantes, o ambiente corporativo leva muito mais tempo para promover uma inovação radical.

Segundo Eric Ries, autor de A Startup Enxuta, é preciso que se estruture um ambiente para a inovação radical. Tal “ilha da liberdade”, como o autor às vezes se refere, permitiria criar startups dentro das próprias organizações, atendendo aos seguintes requisitos estruturais: recursos escassos, porém seguros; autoridade independente e interesse pessoal.

No caso de uma organização, além de atender a estrutura mencionada, ela deve se manter à parte do processo e atribuir às equipes a responsabilidade e liberdade para inovarem, reintegrando a inovação a si mesma no final do processo.

Vale lembrar que esses três atributos são pré-requisito para a inovação, mas não uma garantia. Entenda:

1. Recursos limitados, porém estáveis

Nas organizações existe uma disputa política entre as áreas por uma fatia da receita dos recursos da empresa. Porém, em caso de crise em determinada área da organização, o orçamento das outras pode ser remanejado. E tal mudança repentina no orçamento de uma equipe de inovação pode comprometer os projetos em andamento, atrasando o ciclo de aprendizagem e até mesmo perdendo o timing de mercado.

No caso das startups, o orçamento é inúmeras vezes mais limitado que as grandes empresas, por outro lado, é mais estável. Uma vez que se dá início a um projeto, a equipe tem que operar dentro de seu limite financeiro e no prazo estabelecido. Isto é, elas têm pouquíssima margem para erro e contam com mais segurança a respeito das interferências em seus recursos. O mesmo deveria ser para as áreas de inovação nas empresas, segundo Ries.

2. Autoridade Independente

Para que uma equipe inovadora de fato opere como uma startup, é preciso que ela tenha autonomia suficiente para trabalhar com seus experimentos sem a necessidade de obter várias aprovações para tal.

Para um trabalho ainda mais independente, as equipes precisam ser multifuncionais com integrantes — disponíveis em tempo integral — de todos os departamentos atuantes no projeto, a fim de que eventuais solicitações sejam representadas por eles com uma prioridade maior, mantendo o ritmo do ciclo de construir-medir-aprender.

3. Interesse pessoal

É preciso que haja uma política em que as equipes tenham o devido crédito e reconhecimento sobre um projeto inovador. Só assim se criará o interesse pessoal na inovação. Algumas empresas criam programas para promover a inovação com premiações, porém incentivos financeiros não necessariamente trazem o engajamento pessoal das equipes.

Além da questão do reconhecimento, é importante a clareza a respeito dos critérios que precisam ser atendidos e os limites que devem ser guardados na elaboração de projetos inovadores, porque senão, as equipes acabam guiando suas propostas de projetos sem resolver um problema específico e relevante.

É, sim, possível criar startups nas organização desde que ela seja estruturada corretamente atendendo a esses três atributos que, como dito anteriormente, são requisitos para que as equipes sejam seja bem-sucedida na busca pela inovação.